[6 on 6] Lente

Projeto 6 on 6

É a segunda vez que a vejo chegar por esses lados, e dessa vez ela veio bem tímida, sem pressa. Algumas florzinhas nasceram em canteiros, a temperatura subiu alguns graus (poucos, é verdade) e os dias escuros abriram espaço para noites gloriosas com luz natural até 22h.

A primavera é o tema de maio no Projeto 6 on 6 e marca o início da temporada de coisas incríveis em Amsterdam (RoekjesdagDia do Rei, festivais, shows, eventos, etc), e  em menos de duas semanas nós esquecemos completamente os quase sete meses de clima hostil. Agora as flores já tomam conta de todas as ruas da cidade e as pessoas já se abandonam em qualquer pedaço de grama para absorver até o último raio de luz solar.

Não é nem um pouco difícil se apaixonar por ela. ❤

Paula Abrahão | Blog - Projeto 6 on 6: Lente Paula Abrahão | Blog - Projeto 6 on 6: Lente Paula Abrahão | Blog - Projeto 6 on 6: Lente PaulaAbrahao-Lente5 Paula Abrahão | Blog - Projeto 6 on 6: Lente

Estou de volta em São Paulo essa semana, por isso o post do 6 on 6 saiu um dia atrasado. E, como sempre, “lente” significa primavera em holandês. :)

Outras primaveras pelo mundo: Taís (Irlanda) | Sarah (Noruega) | Lolla (Inglaterra) | Alê (Ucrânia)  Rita (Portugal)

Koningsdag 2015 em imagens – e vídeo!

Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam)

A promessa de passar meu segundo King’s Day dentro de um barco não foi cumprida, mas pelo menos consegui juntar um grupo divertido de pessoas que nos acompanharam pela cidade no dia mais laranja do ano. Foram 8h andando por Amsterdam, provando as comidas de rua e observando as pessoas e os barcos passando – que renderam 470 fotos e alguns vídeos [ainda não editados, obviamente, já que sigo a corrente ~blogagem lesma~].

Caiu de paraquedas e não faz a menor ideia do que é o Dia do Rei? Eu explico rapidinho: lá em 1800-e-guaraná-com-rolha, a população estava insatisfeita com o governo do rei Willem III – porém caía de amores por sua filha, princesa Wilhelmina. E o que faz a família real nessas horas? Declara um feriado nacional para celebrar o aniversário da criança, claro! Tudo começou com um “Dia da Princesa”, seguido por 123 anos de “Dia da Rainha”, e desde 2013 é celebrado o aniversário do atual monarca, Willem-Alexander, no dia 27 de abril – por isso virou “Dia do Rei”.

A comemoração é a mesma há anos: todos usam alguma peça laranja, famílias vendem suas coisas antigas na frente das casas e nos parques, os canais enchem de barcos (geralmente com pessoas felizes e alcoolizadas) e nas ruas tem música, comida e várias festas diferentes. E meu passeio de barco não vai passar de 2016, eu prometooooo, Paula do futuro! Mas dessa vez tem vídeo pra mostrar melhor como foi. :D

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So it was King’s Day again, and I ended up not fulfilling my last year’s promise of spending the day on a boat. At least this year I had the pleasure of walking around the city for 8h straight with my husband plus an amazing group of people – with 470 pictures and a couple of videos [still not edited, though] to tell the story. Have no idea what a King’s Day is? Wiki explains it all. And I promise (yet again) my future self that in 2016 there will be a boat. At least we have a video this time! :D

Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam)

docinhos típicos para celebrar a data

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foto por Tassia Pellegrini

foto por Tassia Pelegrini

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all hail the [fake] king!

all hail the [fake] king!

Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam) Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam) Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam) Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam) Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam)

~fritando~

~fritando~

~mozão~
Paula Abrahão | BLOG - Koningsdag 2015 (Dia do Rei em Amsterdam)

Susanne König e outros tatuadores em Amsterdam

Susanne_cover

Foi com quinze anos que me deu vontade de fazer uma tatuagem pela primeira vez, e me lembro de ficar desenhando no caderno da escola exatamente o que eu faria e em quais lugares – eram cinco, naquela época. Treze anos se passaram e eu ainda não fiz nenhuma, mas continuo achando uma arte incrível.

Um dos principais motivos pra essa tattoo nunca ter saído é o receio de não ficar como imaginei, e não ter encontrado tatuadores com estilos de desenho que eu visse e pensasse “é isso!”, contribuiu. Até que um dia, procurando profissionais aqui em Amsterdam, caí no Instagram da Susanne König e…

SusanneKonig

instagram @suflanda

Apaixonei completamente! ❤ A delicadeza dos traços, a precisão do sombreamento e a técnica de preenchimento com pontilhismo me deixaram maravilhada – tanto que me deu “a louca” esses dias e quase fui direto no salão em um sábado pra fazer qualquer coisa. Ano passado ela começou uma série incrível de tatuagens com o conceito “a room inside a heart“: suas paixões dentro de um coração anatômico. Embora seja uma tattoo temática, cada coração da série tem seus detalhes únicos.

Susanne anunciou essa semana que Maio será seu último mês atendendo no Salon Serpent, um estúdio famoso daqui, depois ela voltará para sua cidade natal na Alemanha. Quando eu falo que Murphy anda de mãos dadas comigo, vocês não acreditam. :P

Henk Schiffmacher

De qualquer forma, nem de longe ela é o único nome memorável nesse cenário. Um senhorzinho holandês chamado Henk Schiffmacher é o responsável por colocar Amsterdam no mapa da tatuagem e fazer de Hanky Panky um dos estúdios mais famosos do mundo desde 1979. Ele também esteve por trás do Museu de Tatuagem de Amsterdam – que, infelizmente, não existe mais. Incontáveis famosos rabiscaram a pele com Hank (Kurt Cobain, Marilyn Manson, Kate Moss, Red Hot, Ozzy, Lady Gaga – só pra citar alguns), que hoje se dedica a pintar, desenhar e escrever. Agora quem leva o sobrenome Schiffmacher para a frente é sua filha, Morrison, especializada em tatuagens clássicas e lettering.

Tattoo Peter também é outro lugar de renome, aberto por Pier “Peter” de Haan em 1955 e atualmente comandado por quatro tatuadores que trabalham com estilos diferentes, porém todos com uma temática mais clássica (pense em tatuagens de marinheiros).

Tattoo Peter

divulgação: Tattoo Peter

Amsterdam é uma meca de tatuagem e está cheia de estúdios para quem quer um souvenir definitivo, mas nada será mais tradicional do que tatuar no Hanky Panky, Tatttoo Peter e Salon Serpent. Vamos ver se esse ano minha tatuagem sai de uma vez por todas, né? :D

[6 on 6] Straatgrafiek

Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam

»» If you’re an English reader, scroll down or click here.

Costumo dizer que Murphy anda de mãos dadas comigo. Obviamente, assim que escolhemos o tema “arte de rua” para o Projeto 6 on 6 desse mês, o universo conspirou contra: o lugar ícone para graffiti e street art em Amsterdam entrou em processo de gentrificação – com direito a protesto, polícia e todas as tretas que essas coisas pedem.

Mas tudo bem, isso só me deixou com ainda mais vontade de registrar uma última vez esse pedacinho (já não tão) colorido da cidade. Recomendo dar uma olhada no post que fiz sobre a Spuistraat ano passado para comparar a mudança, e também a leitura desse artigo (em inglês) para entender um pouco a história por trás dos krakers e do que foram esses espaços que eles ocuparam e transformaram.

Até tirei fotos de outros graffitis, adesivos, lambe-lambes e intervenções que encontrei tímidas pela cidade, mas no fim acabei selecionando praticamente só fotos da Spui. Fica aqui a minha singela despedida desse quarteirão que muitas vezes deixou os meus dias cinzentos em Amsterdam mais felizes.

* Apesar de existirem os termos “straatgrafiek” e “straatkunst”, em holandês costumam usar street art mesmo. :)

Taís (Irlanda) | Sarah (Noruega) | Lolla (Inglaterra) | Alê (Ucrânia)  Rita (Portugal)

Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam Paula Abrahão | BLOG - 6 on 6: Street Art Amsterdam

//english

Once upon a time there was this colourful street in Amsterdam. Now it’s going through a gentrification process, and the buildings that once housed art galleries in the open will soon be turned into luxe flats/offices. In this month’s edition of Project 6 on 6, we bring you our views on street art around six european cities (Amsterdam, Dublin, London, Kiev, Tromsø and Lisbon). More than that, this assignment is my very personal goodbye to one of my favourite parts in the city. I’m glad I was able to photograph it a couple of times this past year, at least. If you want to know more about Spuistraat’s history, I recommend reading this article.

Organização pessoal com o sistema Bullet Journal

Paula Abrahão | BLOG - Organização pessoal com Bullet Journal

Adoro post-its, listinhas e caderninhos… o que complica muito minha vida, acabo tentando organizar as coisas em lugares diferentes e desisto no meio do caminho. Foram incontáveis as agendas que eu preenchi assiduamente por dois meses e depois caíram no limbo das gavetas.

Esses dias postei no Instagram (já me segue lá?) uma foto do meu novo sistema de organização, o “Bullet Journal“. Fui um pouco resistente à ideia quando o Shi me mostrou o vídeo, mas me empolguei depois de vê-lo colocando o plano em prática (isso incluiu comprar um caderninho e canetas novas, sendo rata de papelaria isso é um prospecto que já me anima horrores).

A premissa do Bullet Journal é concentrar toda sua organização pessoal em apenas um caderno de anotações. O vídeo explica bem, mas vou dissolver a informação para quem não domina inglês.

Funciona assim: a primeira página do seu caderno será o índice, que você preencherá conforme for usando seu journal – por enquanto, escreva só “índice” que já está bom! Vire para a primeira página dupla, que será seu calendário mensal, e escreva o mês e ano no topo de ambas. A folha da esquerda será o calendário de fato onde você listará todas as datas do mês, seguidas pela primeira letra do dia da semana (“1S, 2T, 3Q, por exemplo). A folha da direita será sua lista de afazeres: coloque tudo que você precisa fazer durante o mês, e não se esqueça de desenhar um quadradinho (checkbox) antes de cada tarefa nova.

Agora volte para o índice e coloque o mês com o número da página onde você encontra esse calendário. Com o tempo, isso vai te ajudar a localizar informações de um jeito muito mais rápido. Feito isso, vá para a próxima página em branco depois de seu calendário mensal. Essa será sua agenda diária: todos os dias, escreva o nome + data do mês e liste o que precisa ser feito naquele dia. A melhor parte? Tudo bem se você pular alguns dias da semana, você não vai ficar com aqueles montes de páginas vazias (como acontece com uma agenda comum).

O bullet journal recebe esse nome graças aos “bullets” que você utiliza pra se organizar: quadradinhos são tarefas (que você vai “ticando” conforme for completando), círculos são eventos e bolinhas são anotações. Caso algum evento/compromisso/anotação não seja mais relevante, é só riscá-lo da agenda. Se você precisa dar prioridade para alguma bullet, coloque uma estrelinha antes dela para chamar a sua atenção.

Paula Abrahão | BLOG - Organização pessoal com Bullet Journal Paula Abrahão | BLOG - Organização pessoal com Bullet Journal

Não se esqueça de colocar os meses e páginas no índice conforme você for usando seu journal. O charme desse sistema é ser extremamente simples e reconhecível, te dando uma visão clara e rápida da sua rotina – e eu garanto que a satisfação de “ticar” todas as caixinhas é incrível! xD

Por ter uma formatação flexível, ainda temos a liberdade de criar grupos de tarefas (planejamento de viagem, por exemplo) dentro do mesmo organizador, sem precisar recorrer a outros caderninhos.

No vídeo usam um Moleskine Squared (quadriculado), mas comprei um Leuchtturm1917 Dotted (pontilhado) pois achei mais bonito – e é o que o Ryder Carroll recomenda no site, então resolvi testar. A empolgação foi tanta que acabei comprando também algumas canetas novas e um estojo mais bonitinho pra acompanhar meu novo sistema de organização, só jogo tudo dentro da bolsa e tenho fácil acesso quando eu preciso.

Thorin também aprova xD

Thorin também aprova xD

Apesar de estar só no meu primeiro mês de uso,  já acho mais eficiente do que todas as agendas tradicionais que tentei manter durante a vida. O tamanho do caderno é ideal para eu conseguir escrever com conforto (o que não acontecia com minhas agendas de bolsa), mas sem me atrapalhar quando preciso levá-lo para algum lugar.

Também já tentei me organizar com aplicativos sincronizados entre Macbook-iPhone, mas não vingou. Gosto da flexibilidade, da facilidade em identificar cada atividade e de poder ver o mês como um todo, sem ter que ficar virando muitas páginas pra isso, e acredito que o bullet journal vai me ajudar bastante ao longo desse ano.

O que você usa para se organizar?

[6 on 6] Begraafplaatsen

Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats

Enquanto a maioria das pessoas prefere ignorar o assunto ou tem medo, eu sempre cultivei um certo fascínio e me senti extremamente segura dentro deles – como se nada no mundo externo pudesse me atingir, sabe? Cemitérios são lugares extremamente tranquilos e bonitos.

Lembro a primeira vez que pisei no Necrópole São Paulo, Consolação e no Araçá, fiquei encantada com a arte tumular, com os mausoléus e as esculturas incríveis. Meus avós maternos estão enterrados no Necrópole, e visitá-los era como um ritual para mim. Um ritual cercado de respeito, reflexão, saudade e beleza – mas nunca tristeza.

Esse mês no Projeto 6 on 6 (que está chegando um pouquinho atrasado aqui, eu sei) mostramos as “últimas moradas” ao redor da Europa. O De Nieuwe Ooster Begraafplaats é o maior cemitério do século XIX na Holanda e há mais de uma década tem o título Rijksmonument de patrimônio histórico nacional.

Assim como praticamente todos os aspectos da sociedade holandesa, as tradições que envolvem a morte são simples e sem ostentações (um pouco para minha decepção, devo dizer). Em sua grande maioria as lápides são gravadas em pedra, algumas enfeitadas com pequenas esculturas de anjos ou animais ao seu redor, o que achei muito simpático. Ele é todo cercado por árvores e grama, e é visível o cuidado que tanto a administração quanto os parentes têm em manter tudo bonito. Mesmo os túmulos mais antigos estão em bom estado, não há nada depredado ou fora de seu lugar.

Vi incontáveis buquês de flores recém colocados, bichinhos de pelúcia, enfeites e outros detalhes, uma delicada simbologia para representar toda uma existência. Foi com um arrepio que a minha reflexão sobre a mortalidade tomou uma nova proporção ao ver o túmulo de uma jovem vítima do tsunami que atingiu a Tailândia em 2004; vigiada de perto por um buda e cercada por velas, flores e objetos coloridos.

Acho que a idade me fez mais suscetível à aversão em pensar sobre a morte. Aos poucos, o conformismo que eu tinha tem sido substituído pelo receio – não da morte em si, mas das pessoas que ficarão para trás. De quem vai cuidar da minha família, dos meus gatos, quem vai limpar a bagunça que eu deixar para trás… vocês se pegam pensando nessas coisas também, às vezes?

O último adeus em outros lugares: Irlanda (Tais) | Inglaterra (Lolla) | Noruega (Sarah) | Portugal (Rita) | Ucrânia (Alê)

Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats

Paula Abrahao | BLOG - Begraafplaats

Monumento para Thérèse Duyl-Schwartze, pintora holandesa