Posts sobre Diariamente

Notícias de Winterfell

Shame on me, sem atualizar o blog desde o dia 30/09. Culpa da mudança e adaptação, então seguimos com calma. A rotina está começando a se ajeitar lentamente. Temos todos os eletrodomésticos, eletroportáteis (até uma panela de arroz japonesa!) e mobília. Agora só falta mesmo comprar e instalar prateleiras (e talvez uma estante) pra buscar todos os livros e as miniaturas (lego alert!).

Também já temos uma mini horta com mudas de alecrim e orégano, um tomilho em fase de incubação – falta arrumar mudas de coentro e manjericão, pelo menos. Pra decorar, mini samambaias na mesa da sala e uma mudinha de bico de papagaio, que durou 15min na mão do namorado e agora sobrevive com apenas um raminho no vaso.

Winterfell

As plantinhas de Winterfell - Tomilho sementinha

As plantinhas de Winterfell - Alecrim

As plantinhas de Winterfell - Orégano e Arruda

Saindo da concha

Nos últimos três anos foi uma atrás da outra, dando um chacoalhão na vida. Ora deixando-a de cabeça para baixo, ora deixando tudo aos pedaços. Seja qual for a situação, todas foram positivas e significativas. Algumas doeram, outras extasiaram e mais outras me encheram de medo e expectativas. E de novo, cada uma das mudanças foi importante.

Onze

Sem todas elas, não estaria aqui hoje contando para vocês que estou saindo da casa dos meus pais para morar com o namorado. Aquele com quem estou há apenas dois anos, mas está na minha vida há sete – e tenho certeza que nunca sairá, seja lá o que aconteça. Um amigo, um companheiro, um amante, um pilar. É exatamente isso: um companheiro. Namorados posso encontrar aos montes, em qualquer esquina, mas um companheiro – alguém disposto a apoiar minhas decisões, me incentivar, dar broncas necessárias e inspiração – é algo totalmente diferente.

Estou muito feliz e empolgada, mas não consigo também me livrar daquela sensação de ansiedade misturada com medo. Não sei por onde começar a empacotar minhas coisas. Moro nesta casa que estou deixando para trás desde os seis anos, tempo demais para saber, assim quase do nada, como empacotar os acúmulos emocionais e memórias. Vai além do material – que também existe em uma quantidade considerável. Você pára e pensa: – Caramba, essa pode ser a última vez que chego em casa, dou oi pros meus pais e irmão, e vejo meu coelho pulando em minha direção. É uma sensação intensa.

Agora é respirar fundo e recomeçar. A vida tá bagunçada, tenho muito para absorver e fazer em um curto espaço de tempo, mas as mudanças são assim mesmo. Chegam quase inesperadas e batem na nossa bunda pra nos mexermos.

Mas óh: já tenho um sofá e uma cama, que chega na próxima segunda-feira. Posso recomeçar com conforto, pelo menos! xD

Through mountains high and valleys low, the ocean through the desert snow. We’ll say goodbye to the friends we know, this is our exodus ’04. Through traffic jams in Tokyo, new music on the radio. We’ll say goodbye to the world we know, this is our exodus ’04.

Querida Puiji

Você nem deve se lembrar de mim, mas amanhã faz três meses que nos conhecemos. Estava curtindo minha viagem em Chicago com o namorado e passeando por lugares lindos quando visitei sua casa pela primeira vez. Não imaginava que te encontraria por lá, foi tudo tão inusitado!

Ouso dizer que nosso encontro foi um dos mais felizes da minha vida. Aos dez anos ouvi falar em sua espécie pela primeira vez e já me apaixonei – sempre adorei baleias, obviamente que uma mini, gordinha e branca seria irresistível para uma criança.

Shedd Aquarium - Abbott Oceanarium

Quando descemos as escadas para sua casa, fiquei maravilhada com as enormes janelas externas dando vista para o Lago Michigan. Era água pra todo lado, tanto dentro quanto fora. Logo em seguida te ouvi me cumprimentando: uma sonorização aguda e aparentemente feliz. Mal pude controlar minha ansiedade, a vontade de sair correndo ao seu encontro feito uma criança quase me arrebatou – mas com meus vinte e tantos anos isso não pegaria muito bem, né?

Puiji @ Shedd Aquarium - Abbott Oceanarium

Shedd Aquarium - Abbott Oceanarium

Mais alguns passos, com a maior calma que minha ansiedade me permitia, e lá estava você: uma branquela brincalhona, cuspindo água nas pessoas e nadando com suas irmãs e seu bebezinho, Nunavik. E eu chorei copiosamente. Chorei e ri de alegria ao mesmo tempo, por estar onde nunca nem sonhei em estar. Não sei quanto tempo passei ali, mas sei que foram momentos extremamente felizes e satisfatórios.

Shedd Aquarium - Abbott Oceanarium

Puiji @ Shedd Aquarium - Abbott Oceanarium

Você foi uma das melhores lembranças que eu poderia ter na vida e me sinto honrada de tê-la conhecido, Puiji. Espero te reencontrar em breve e compartilhar mais algumas lágrimas e sorrisos sinceros, enquanto você passeia despreocupadamente entre águas geladas e outras gordinhas.

Ah sim, mande um beijo bem gostoso e gelado pra Miki, que está fazendo quatro aninhos hoje. Sinto muita saudade de todas vocês! :)

Hogwarts will always be there…

Hogwarts will always be there to welcome you home

Em exatamente uma semana um capítulo muito importante e querido na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo se encerrará. Já falei isso tantas vezes pessoalmente, no twitter, no facebook… é o final de uma era, sim. Foram doze anos da minha vida acompanhando a progressão nas vidas de cada personagem, vendo-os crescer junto comigo, absorvendo suas emoções e ansiedades.

Lembro-me nitidamente: ganhei o primeiro livro de um casal de amigos do meu pai, na festa de um ano do meu irmão. Nem estava próximo ao meu aniversário, mas mesmo assim eles acharam adequado levar um presente para mim também, afinal eu era apenas uma criança de doze anos.

Devorei o primeiro livro em três dias, o segundo em apenas um! Assim foi seguindo e crescendo meu amor. Sinceramente não sei que tipo pessoa eu seria hoje se aquele casal, cujo nome eu infelizmente nem lembro, não tivesse me dado um presente tão precioso. Meu pai passava o dia fora trabalhando, minha mãe cuidava do meu irmão em tempo integral e nunca foi muito dada à leitura, então talvez eu nunca tivesse me interessado tanto por livros se não fosse por esse casal – e principalmente por JK Rowling.

Muita gente acha idiota pessoas de 25/30/40 anos cultivarem um fascínio e admiração tão grandes pela história de um menino órfão que descobre ser bruxo e é enviado para estudar em um castelo encantado com corujas, varinhas e criaturas mágicas. Eu lamento por essas pessoas. Lamento por elas não terem experienciado ler A Pedra Filosofal e passar semanas imaginando como seria receber uma carta de Hogwarts; por não terem a oportunidade de sonhar em usar o chapéu seletor; por não terem quisto mergulhar na plataforma 9 3/4 em Londres; por não terem sonhado com corredores e quadros que se movem dentro de um castelo com masmorras e salas incríveis. Lamento por nunca terem conhecido a mágica de JK Rowling.

Harry Potter não é só um livro juvenil, um conto fantasioso ou uma história boba. Harry Potter é a concretização do sonho que todas as crianças um dia já tiveram: o de viver em um mundo encantado onde o único limite é a sua imaginação.

JK Rowling nunca lerá isso, mas eu a agradeço imensamente mesmo assim. Agradeço pelas milhares de páginas que me acompanharam por metade da minha existência e por ter feito de mim uma pessoa melhor, mais determinada, feliz e criativa em minha totalidade. Obrigada por compartilhar seu sonho conosco Jo, seus fiéis Potterheads. E pra quem não viu, aqui está o link dos discursos de despedida na premiere de Deathly Hallows Part 2 – já separem um lencinho.

“Hogwarts will always be there to welcome you home”

Os braquiossauros me entenderiam

Perdi as contas de quantas vezes ouvi “nossa deve ser tão legal ser alto” nesses vinte e quatro anos e seis meses de existência. Altura elevada é automaticamente associada com elegância, glamour, passarela, beleza e esses nhenhenhes todos.

Mas sabem a verdade? Ser alto em um país onde a média não passa de 1.70m é um saco de papai noel furado! É difícil comprar roupas, pois as blusas ficam curtas no comprimento ou nas mangas e as calças compridas parecem calças de catar caranguejo no mangue. É difícil fazer tarefas do dia-a-dia pois nada é adaptado à sua altura: pias, mesas, sanitários, balcões… tudo é pequeno demais para você. É difícil encontrar sapatos caso você calce +40, no caso feminino, ou +44, no caso masculino. É difícil interagir com as pessoas ao seu redor, ter que ficar abaixando toda hora, se contorcendo e se encolhendo traz muitas dores nas costas a longo prazo. E o salto alto? Sei que há mulheres altas que amam a sensação, mas eu detesto andar no meio da rua e todo mundo ficar encarando – às vezes tenho certeza que ficam procurando um gogó pra saber se eu sou mulher de verdade ou não. Utilizar transporte público é uma tarefa de paciência redobrada; não bastasse a baixa eficiência do transporte, que gera irritação em todos os usuários, ainda temos que conviver com tetos baixos e espaço ínfimo entre assentos, um verdadeiro horror para nossos joelhos e postura.

E sabe o pior de tudo? Não há muita solução. As lojas não vão tomar vergonha na cara e mudar seus padrões de medidas, não posso exigir que os amigos usem plataformas para elevar a altura e definitivamente não posso fazer nada a respeito do transporte lata de sardinha. Só me restam minhas aulas de pilates e alongamento contínuo para tentar dissolver o alien (apelido carinhoso dado ao meu tendão de tensão imenso) que habita minha coluna. Na verdade esse post foi só para contar a vocês que tenho uma leve escoliose (desvio na coluna), e olha… não é mole, não.

Então da próxima vez que você desejar ser a Gisele Bündchen, pense duas vezes. Ou deseje também a conta bancária dela para pagar o massagista, o quiroprata, o personal e a professora de pilates full-time.

Paula tem 1.78m e adoraria poder distribuir centímetros aleatoriamente pela rua.