Sobre mudar de país e recomeços

Em 2013, eu e o Shiota começamos a cogitar a ideia de mudar de país – e há algumas semanas esse plano se concretizou, quando viemos com os quatro gatinhos para Amsterdã.

Amsterdam - por Paula Abrahão

Nós dois adoramos viajar e sempre tivemos muita vontade de morar no exterior, viver uma cultura nova e expandir nosso conhecimento sobre o mundo. O plano era começar a procurar vagas de trabalho nos Estados Unidos e União Europeia somente em 2014, mas a vida não acontece exatamente como a gente planeja, né? No segundo semestre de 2013 surgiu uma oportunidade legal para o Shiota em Amsterdã e, depois de pensarmos um pouquinho, decidimos vir.

Uma série de fatores nos motivou a tomar essa decisão, mas os principais foram o sonho de morar fora e a estafa que ambos sentiam em morar/trabalhar em São Paulo. A violência, o caos na locomoção diária e a relação ‘mais custo que benefício’ da cidade foram fatores decisivos também.

Seria difícil não termos mais os familiares e amigos por perto, o conforto de um emprego que adoramos e a rotina já conhecida, mas escolhemos arriscar. Recomeçar do zero é difícil, especialmente em um país cuja cultura é totalmente oposta à nossa e o idioma é desconhecido.

Uma simples ida ao supermercado vira uma aventura, onde você olha cinco tipos de açúcar diferentes na prateleira e sabe que nenhum deles é o que você precisa para fazer um bolo; onde o meio de locomoção oficial é a bicicleta e você se vê prestando atenção na cor do asfalto pra saber se está andando na ciclovia ou não; onde os bondes dividem espaço com bikes, pedestres, scooters e motoristas, logo ali no centro da cidade – sim, todos juntos no meio da rua, é surreal.

É difícil se arriscar em um lugar desconhecido e longe de casa, mas não tenha dúvidas que será a experiência mais enriquecedora da sua vida – se você souber aproveitar, claro. Você pode achar a mudança dolorosa e criticar/comparar a cultura local com o que você conhece do Brasil, ou simplesmente aceitar que sua realidade mudou completamente e abraçar as mudanças.

O Shiota começou a trabalhar em Amsterdã em Novembro e eu fiquei em SP esperando o fim da quarentena dos gatos em nosso antigo apartamento. Passar mais de um mês sozinha foi chato, especialmente tendo que fazer toda a parte da mudança física da casa. Decidimos vender todos os móveis, separamos roupas para doar/vender/desapegar e anunciamos tudo na internet. Sem amarras!

Como viajaríamos com 4 gatos de uma vez, a ideia era levar o menor número de malas possível para não termos problema de locomoção do aeroporto para a casa. Trouxemos 4 malas no final – um número bom para quem está mudando de país, vai!

A mudança implicou em deixar meu trabalho em uma agência que eu adorava em São Paulo e encarar um tempo como “mãe de gatos” por aqui, enquanto não arrumo um emprego ou cursos para fazer. Parei de trabalhar no final de Novembro e ocupei todo o mês de Dezembro com assuntos pertinentes à mudança, então só agora estou realmente sentindo como é ficar sem trabalhar pela primeira vez em quase 10 anos.

Infelizmente cheguei no meio do inverno, uma época chatinha para passear e desbravar a cidade, Hoje, por exemplo, não para de chover e eu preciso sair de casa para comprar algumas coisas, mas estou sem a menor coragem. Já mencionei que durante o inverno começa a anoitecer às 16h30? Pois é, às vezes é complicado…

Confesso que ainda tenho a sensação de ser turista, apesar de já ser considerada oficialmente pelo governo holandês uma moradora. Não sei quando essa sensação vai passar, quando vou deixar de achar tudo incrível e me encantar com a arquitetura, o transporte público eficiente e a sagacidade dos holandeses andando de bike e carregando caixas 3x maiores que elas. Vamos acompanhar! :P

E você, tem vontade de mudar para algum lugar?

Amsterdam - por Paula Abrahão Amsterdam - por Paula Abrahão Amsterdam - por Paula Abrahão Amsterdam - por Paula Abrahão Amsterdam - por Paula Abrahão Amsterdam - por Paula Abrahão