{"id":4761,"date":"2021-11-09T11:45:00","date_gmt":"2021-11-09T10:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/?p=4761"},"modified":"2021-11-09T14:05:47","modified_gmt":"2021-11-09T13:05:47","slug":"quase-oito-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/2021\/quase-oito-anos-depois\/","title":{"rendered":"(Quase) Oito anos depois"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi no meio do caos do segundo lockdown que completei <strong>7 anos morando na Holanda<\/strong>, em dezembro de 2020. Logo mais, em pouco mais de um m\u00eas (praticamente semana que vem, do jeito que o tempo est\u00e1 passando), j\u00e1 ser\u00e3o oito anos aqui. <strong><em>OITO<\/em><\/strong>. Eu n\u00e3o consigo nem conceber esse fato direito. Ainda tenho tanto pra aprender sobre esse pa\u00eds, sobre essa cultura e essa na\u00e7\u00e3o (que tem me decepcionado bastante com a falta de senso coletivo durante a pandemia), \u00e9 surreal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que agora posso dizer, com uma certa garantia, que aqui \u00e9 minha casa. N\u00e3o mais me considero uma <em>expatriada<\/em>, mas sim uma <strong><em>imigrante<\/em><\/strong> (inclusive, nesses \u00faltimos anos, passei a detestar o termo &#8220;expatriado&#8221; e seus significados embutidos). Mais uma imigrante que ainda se v\u00ea lidando com as consequ\u00eancias \u00e0s vezes invis\u00edveis (embora, emocionalmente, muito reais) da perda completa da sua identidade. Por um lado, passar esse tempo todo aqui fez com que eu finalmente me identificasse como brasileira e latina, e at\u00e9 com que eu me conectasse mais profundamente com certos aspectos da nossa cultura \u2013 especialmente a m\u00fasica, a arte e a nossa pluralidade como na\u00e7\u00e3o. Por outro, parece que nunca estive t\u00e3o distante de um senso de identidade pessoal como nesse momento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma imensa dicotomia que me trouxe in\u00fameros aprendizados e me colocou de cara com as minhas sombras, com meus medos e traumas, mas tamb\u00e9m com meus maiores sonhos e realiza\u00e7\u00f5es que, de repente, eram t\u00e3o tang\u00edveis quanto uma x\u00edcara de caf\u00e9 sobre a mesa da cozinha. <\/p>\n\n\n\n<p>Oito anos depois, a fase da lua de mel com o pa\u00eds certamente acabou e as rachaduras nas paredes come\u00e7aram a entrar no meu campo de vis\u00e3o. O passado colonizador e opressor, a resist\u00eancia em admitir os erros e as consequ\u00eancias negativas desse hist\u00f3rico, o individualismo, a xenofobia e o racismo t\u00e3o mascarados no v\u00e9u da &#8220;toler\u00e2ncia&#8221;&#8230; poderia fazer uma lista bem grande. Talvez essa seja s\u00f3 mais uma faceta da vida imigrante, o sinal de que a gente realmente se &#8216;adaptou&#8217; ao local escolhido por ora: come\u00e7ar a enxergar as coisas como elas realmente s\u00e3o, e n\u00e3o como a gente romantizou que seriam. <\/p>\n\n\n\n<p>Um brinde (com caf\u00e9, para mim) aos oito anos de aprendizado, conquistas e perrengue; aos dias incr\u00edveis e felizes; \u00e0 depress\u00e3o de inverno; \u00e0s novas amizades forjadas e \u00e0s pouqu\u00edssimas antigas que aguentaram o tranco do tempo+dist\u00e2ncia; ao meu companheiro de vida por segurar minha m\u00e3o e tamb\u00e9m me dar uns empurr\u00f5es quando precisei. <\/p>\n\n\n\n<p>E, acima de tudo, um brinde ao meu psicol\u00f3gico e emocional por aguentarem essa barra da redescoberta de ser. <em>Proust<\/em>! <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1706\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-scaled.jpg\" alt=\"campo de tulipas rosa com uma mulher ao centro, virada um pouco de lado, com cabelos esvoa\u00e7antes ao vento, um vestido de fundo preto e com estampa de pequenas flores verdes, e um cardigan terrracota\" class=\"wp-image-4817\" srcset=\"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-scaled.jpg 1706w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-200x300.jpg 200w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-683x1024.jpg 683w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-768x1152.jpg 768w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.42.57-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"auto, (max-width: 1706px) 100vw, 1706px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1707\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-scaled.jpg\" alt=\"tulipas rosa fotografadas de baixo para cima, com pontinhos de terra nas pet\u00e1las\" class=\"wp-image-4818\" srcset=\"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-scaled.jpg 1707w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-200x300.jpg 200w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-683x1024.jpg 683w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-768x1152.jpg 768w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/2021-05-12-14.49.07-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"auto, (max-width: 1707px) 100vw, 1707px\" \/><\/a><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no meio do caos do segundo lockdown que completei 7 anos morando na Holanda, em dezembro de 2020. Logo mais, em pouco mais de um m\u00eas (praticamente semana que vem, do jeito que o tempo est\u00e1 passando), j\u00e1 ser\u00e3o oito anos aqui. OITO. Eu n\u00e3o consigo nem conceber esse fato direito.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4816,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[265,152,144],"class_list":["post-4761","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diariamente","tag-amsterdam","tag-holanda","tag-pessoal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4761"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4846,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761\/revisions\/4846"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paulaabrahao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}