Posts sobre Mother of Kittens

Anemia Hemolítica Autoimune felina

contei aqui como foi viajar com os gatos para o exterior e quais são os requisitos necessários, mas um dos tópicos precisava de um post único: o dia que a Lexie quase morreu por causa de uma vacina.

AVISO: O post será imenso (mesmo eu nem tendo abordado todos os detalhes da situação) e demorou meses para ser feito, por ser um assunto delicado que me traz péssimas lembranças e também pela situação ser recorrente – a Lexie ainda está em tratamento. Entretanto, julgo as informações extremamente importantes para Crazy Cat People e amantes de bichinhos no geral, para vocês não passarem pelo mesmo sofrimento que nós passamos.

Uma das exigências para entrar com animais na União Europeia é estar com a vacina anti-rábica em dia e ter um exame comprovando que o bichinho tem anticorpos suficientes contra a doença. No final de Agosto/13 começamos o processo de microchipar e vacinar os gatinhos e estava indo tudo bem – as vacinas eram de um laboratório reconhecido e estavam na validade, assim como o microchip. Seguiu assim, tudo tranquilo, até pouco mais de um mês da aplicação da vacina.

Lexie

Nossa gordinha, antes de adoecer

Acordamos em um domingo, exatamente dia 6 de Outubro, com uma Lexie amuada, visivelmente mais magra, sem apetite e totalmente apática. Pensamos que poderia ser um resfriado e decidimos esperar um tempo antes de irmos ao médico para ver se ela se animava um pouco e comia algo. Nada aconteceu, então à tarde a levamos em um hospital veterinário na Rebouças e ficamos exatamente uma hora esperando, sem sinal algum de atendimento próximo – e assim que ouvimos que um animal tinha falecido minutos antes, decidimos levá-la ao hospital veterinário perto de casa.

Eu sei, você deve estar pensando “mas porque vocês não foram nesse lugar perto de casa de uma vez?”, e eu explico: alguns meses antes, levamos um dos gatos lá e recebemos um diagnóstico horrível, de uma doença fatal chamada PIF, totalmente precipitado, sem o menor tato da veterinária responsável, e sem ao menos realizarem exames ou investigarem – e o diagnóstico estava errado. Isso nos causou um sofrimento profundo, desnecessário e um nível de ansiedade que eu nem consigo explicar. Por este motivo, não queríamos voltar lá. Mas era uma emergência, então voltamos.

Fomos imediatamente atendidos por uma veterinária atenciosa que ficou chocada com a brancura das gengivas e do nariz da Lexie; pediu um exame de sangue, que foi realizado no próprio hospital. O resultado foi ainda mais alarmante: a taxa de hematócritos (glóbulos vermelhos) no sangue dela era de 8% – o normal, para vocês terem uma ideia, é entre 25% e 45%. Ela estava com uma anemia profunda e precisava de uma transfusão de sangue imediatamente.

Explicaram que, para uma transfusão, o gato doador tem que ser saudável, com pelo menos 4,5kg (acima de 5kg preferível), sem acesso à rua e sem doenças diagnosticadas (FIV/FELV/PIF) ou que não tivesse tido contato com essas doenças – qualquer problema desses pode ser fatal para o gato receptor. Voltamos para casa correndo e pegamos o Jamie, nosso filhote mais gordinho, para ser o doador da Lexie.

Jamie cuidando da Lexie quando ela foi esterilizada, em 2012

Jamie cuidando da Lexie quando ela foi esterilizada, em 2012

Antes da transfusão, fizeram um exame de sangue no Jamie para saber se o sangue dele seria compatível, e assim que o resultado saiu começaram a preparação. O gato doador recebe uma sedação leve apenas para que fique relaxado durante a extração do sangue, que é depositado em uma bolsinha e, em seguida, levado para o gato receptor – esse recebe o sangue através de um acesso na patinha. Como a transfusão demora cerca de 2h, fomos instruídos a ir pra casa e voltar depois desse período. Quando retornamos, avisaram que a Lexie teria que ficar internada em observação até que se recuperasse o suficiente, e no dia seguinte realizariam novos exames para ver se a transfusão ajudou. Choramos, MUITO. A sensação de ver doente um bichinho que você considera e cuida como um filho é horrível, especialmente sem saber o que ele tem.

No dia seguinte fomos visitá-la e saber como estavam as coisas: a taxa de hematócritos subiu para 13%, ainda muito abaixo do aceitável. Até então, ninguém sabia que o que tinha acontecido para chegar nesse ponto. A hipótese inicial era Hemobartonelose, uma doença causada por uma bactéria transmitida através de pulgas – o que parecia improvável, já que nenhum dos nossos gatos teve infestação. Ela precisou continuar internada por uma semana enquanto realizavam vários exames e testavam quais medicamentos poderiam ajudá-la.

Lex-Hospital

Sendo fofa até no hospital :~

Nesse período, administraram sete medicamentos diferentes (entre eles um antibiótico para combater a hipótese da Hemobartonelose, que se provou ineficiente), realizaram hemogramas completos diariamente, ultrassom para investigar possíveis tumores (que não foram localizados), e a taxa de hematócritos flutuou entre 13% e 15%. Solicitaram também um mielograma, que consiste na punção do líquido da medula para investigar o funcionamento do órgão e a possibilidade de ser leucemia.

Como a contagem de glóbulos vermelhos continuava muito baixa e o mielograma é um exame delicado, que requer sedação, ela precisou de outra transfusão – e não poderia ser com o mesmo gato doador. Dessa vez, quem salvou a vida da pequena foram a Pancinha e a Fernanda Abreu, que doaram seu tempo e seu amor para ajudar nossa família. Serei eternamente grata a ambas por fazerem parte dessa história. ❤

E adivinha qual foi o resultado? Isso mesmo, inconclusivo. Por ser um exame arriscado para a Lexie, optamos por não refazê-lo. A veterinária responsável pelo caso no hospital veterinário entrou em contato com uma patologista e pediu uma segunda opinião sobre o exame, e aceitamos sua opinião de que nada indicava uma leucemia nos dados do resultado.

Neste ponto, constataram apenas que o organismo dela estava atacando e destruindo os glóbulos vermelhos – mas sem motivo aparente. Com o quadro clínico já estável – e a contagem de hematócritos por volta de 15% e 20% – a gatinha recebeu alta para continuar o tratamento (com os sete remédios) em casa. Um desses remédios, utilizado em pacientes humanos com leucemia, era de aplicação subcutânea e exigia que voltássemos com ela ao hospital 3x por semana para receber essa aplicação.

Com a pequena em casa e o coração um pouco mais aliviado, seguimos o conselho da amiga Lu Freitas e marcamos uma consulta na VetMasters com o Dr. Archivaldo, especialista em felinos e unanimidade no assunto, no comecinho de Novembro.

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Merecida soneca em casa quando voltou da internação <3

Entrei no consultório, sentei, respirei fundo e contei a epopéia da Lexie no último mês. Todos os remédios, sintomas, exames, taxas, diagnósticos. Tudo. E em 15 minutos de conversa, o Dr. Valdo fez a pergunta que matou todo o mistério: “ela foi vacinada recentemente?”

Serendipidade é um termo excelente para explicar o que aconteceu na minha mente no momento que ele fez essa pergunta. Sim, ela havia tomado vacina 5 semanas antes de tudo isso acontecer. E foi exatamente isso o que a deixou doente: uma reação à vacina contra raiva, conhecida como Anemia Hemolítica Autoimune Pós-Vacinal.

A Anemia Hemolítica Autoimune é uma doença potencialmente fatal onde o sistema imunológico do animal destrói seus próprios glóbulos vermelhos. Os anticorpos produzidos pelo organismo para combater doenças “se revoltam”, começam a perseguir as células vermelhas do sangue e destruí-las, causando uma série de complicações.

Há alguns gatilhos conhecidos para que o animal desenvolva a Anemia Hemolítica Autoimune, e um deles é a vacinação. Ao injetar agentes infecciosos no organismo (que é o que acontece ao vacinar), o sistema imunológico pode ficar superestimulado e ter essa reação. Infelizmente, isso é mais comum do que a gente imagina ou sequer fica sabendo.

Enfim diagnosticada, o tratamento caiu de 7 para apenas 2 remédios imunossupressores – para refrear a destruição das células. Em Dezembro, um mês após iniciar esse tratamento, a taxa dos hematócritos já subiu para surpreendentes 30%. Num segundo exame, realizado algumas semanas depois, a taxa estava em 38%.

Já encontramos uma veterinária aqui em Amsterdam que está familiarizada com casos similares e começamos a reduzir a dosagem dos remédios – que, obviamente, têm seus efeitos colaterais nada agradáveis quando usados continuamente por um longo período. A ideia é ir reduzindo a cada 2 semanas e ir fazendo exames para saber se o organismo está conseguindo produzir e manter novas células vermelhas. Já reduzimos duas medidas e a pequena continua firme e forte, apesar de ter emagrecido bastante (um dos efeitos colaterais das medicações).

Ex-Gordinha-Agora-Magrelinha tomando solzinho na janela em Amsterdam

Tomando solzinho na janela em Amsterdam, bem mais magrinha

O tratamento ainda está longe de acabar, e talvez nem acabe. Talvez essa condição não se reverta e ela precise tomar medicamentos pro resto da vida dela, mas não temos como prever isso no momento. Ah, e ela também nunca mais pode ser vacinada – qualquer aplicação seria fatal. Acho que dá pra ter uma noção de quanto dói o coração acordar todos os dias e ver seu pet fragilizado, sem saber se ela vai querer comer ou não, se está bem ou não…

Quero deixar bem claro que o intuito desse texto é compartilhar com vocês uma experiência pessoal, para que fiquem sempre atentos aos seus bichinhos e sintomas estranhos que eles possam apresentar. Foi extremamente difícil encontrar informações sobre essa condição, então acredito que o post possa ajudar futuros protetores caso se encontrem em uma situação semelhante.

Não estou aqui falando “parem de vacinar seus bichos”, pois não cabe a mim. Mas definitivamente esse sofrimento todo que passamos com a Lexie nos fez pensar se é realmente necessário vacinar anualmente 4 gatos que nunca saem de casa e não têm contato com outros animais. Nós decidimos não vacinar mais – e sei que alguns amigos optaram dar apenas as primeiras doses da vacinas (em gatos de apartamento) e os animais nunca tiveram problemas por causa disso.

O site Cachorro Verde tem algumas matérias excelente sobre esse assunto, que recomendo a leitura. E neste link você encontra mais detalhes sobre essa doença, seu diagnóstico, causas e tratamento.

Anemia Hemolítica Autoimune é uma doença potencialmente fatal (e sim, a Lexie teria falecido se não tivesse sido tratada à tempo), então não hesite em procurar um especialista caso perceba qualquer alteração no comportamento e rotina de seus pets.

Nós descobrimos do pior jeito possível o que é a AHAI (ou AIHA, em inglês), mas esperamos poder ajudar algumas pessoas a já saberem do que se trata e como lidar caso, por uma infelicidade, aconteça. Está passando pelo mesmo e quer falar sobre? Mande um email para hello[at]paulaabrahao.com.br.

[UPDATE] Em junho/2014 a doença da Lexie entrou em remissão, ou seja: seu organismo voltou a funcionar normalmente e ela não precisa mais da ajuda de remédios para manter as taxas de hematócritos. Não podemos dizer que ela está curada, já que é uma doença autoimune e pode voltar a se manifestar a qualquer momento, mas já estamos muito satisfeitos com essa pequena conquista. <3

[UPDATE 2] Após exatamente 1 ano de remissão, em junho/15, a anemia voltou a se manifestar. Suspeitei que tinha algo errado quando vi a Lexie tentando comer areia da caixinha, levei ao vet e descobrimos que a taxa de hematócritos estava super baixa (13%). Ela precisou fazer uma transfusão (a terceira da vida, tadica) e mais um ultra pra confirmar que não era nenhum tumor ou problema renal/intestinal, e então retomamos o tratamento. Em agosto, a taxa de HTs já era de 43% e começamos a reduzir as doses de novo.

Viajando com gatos para a União Europeia

Após decidirmos mudar de país, veio a maior preocupação de todas: e os gatos? Bastaram alguns segundos pensando na nossa vida sem eles para os olhos encherem de lágrimas, o coração apertar e a gente ter certeza que não conseguiria deixá-los pra trás de jeito nenhum. Ou vai todo mundo, ou não vai ninguém.

O post será imenso, então ao final coloquei um checklist com o passo a passo para facilitar a vida de quem está se preparando para encarar essa aventura com bichinhos. ;)

Documentação e preparação

Feita a decisão de levar os quatro, começamos a pesquisar sobre a política de entrada de animais na União Europeia (UE), que está entre as mais chatinhas (acho que só perde pra Reino Unido, Japão e outras ilhas). Simplificando muito, é necessário: microchipar o animal, vacinar contra raiva, fazer um exame para confirmar que o animal tem anticorpos suficientes para raiva (30 dias após vacinar), e iniciar a quarentena de 3 meses após a sorologia. Exatamente nessa ordem – não importa se o bichinho foi vacinado 1 mês antes de colocar o microchip, por exemplo.

Então já fica a primeira dica valiosa: se você estiver pensando em viajar com seus animais, a primeira coisa a fazer é colocar microchip.

Nesse processo todo para a UE, que dura em média quatro meses, há várias outras burocracias, como garantir que o animal tenha um microchip padrão internacional e um certificado com adesivo do microchip + adesivo na carteira de vacinação, fazer a coleta do sangue e levar imediatamente até o laboratório autorizado pela UE para realizar a sorologia (em São Paulo é o CCZ – Laborátorio de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores), obter um atestado veterinário comprovando que o animal está apto a viajar e levar toda essa documentação (sorologia, carteira de vacinação, atestado – que só vale por 3 dias após emitir, comprovante de microchip) até a Vigiagro para emitir o CZI – Certificado Zoosanitário Internacional – que é, basicamente, o documento mais importante da galáxia pra quem quer viajar com os pets. Ah, e o CZI é válido por dez dias após a emissão, então é emitir e viajar. Tenso, né?

O serviço de assessoria sai mais caro do que fazer tudo por conta, especialmente levando mais de um animal, mas eles dão todo o suporte necessário: foram até em casa para colocar o microchip e vacinar, checaram se as vacinas estavam em dia, fizeram análise clínica dos gatinhos, coletaram o sangue e levaram até o laboratório, correram atrás de toda a papelada até emitir o CZI alguns dias antes da viagem, e ainda deram suporte na hora de escolher as caixas de transporte, treinar os gatinhos para o voo e solicitar o lugar na aeronave. Como eu e o Shiota ainda estávamos trabalhando e dificilmente teríamos tanto tempo livre pra ficar correndo atrás dos detalhes, especialmente considerando que era uma mudança de país e teríamos muitos outros assuntos e burocracias pra resolver, preferimos contratar uma assessoria de transporte de animais. Pesquisamos algumas na internet e chegamos na FlyingPet.

Outra parte boa de contratar a assessoria: eles já sabem tudo o que precisa para a Vigiagro autorizar o CZI, então os riscos de cair na malha fina burocrática desse processo diminuem muito. Eles também já sabem quais são as cias aéreas mais aptas a transportar os pets e suas políticas de transporte de animais – e se não souberem de alguma específica, correm atrás dessas informações por você. Agora o governo brasileiro oferece passaporte para pets, mas não sei como isso ajudará nesse processo.

Como levar animais para a União Européia

Adquirimos 2 caixas de transporte rígidas Vari Kennel da Petmate para o porão e 2 bolsas de transporte de material flexível para a cabine. Durante a quarentena, deixamos as caixas e bolsas espalhadas pela casa para os gatinhos entrarem, dormirem e comerem dentro, assim iam se acostumando a ficar lá dentro. Para as caixas que seriam despachadas, compramos também 2 bebedouros para roedores, que foram presos na grade da caixa (veja na foto acima), assim eles teriam água disponível durante o voo. Embaixo dos bebedouros, também na grade, posicionamos os potinhos para alimento/água que já vieram com a caixa, para segurar qualquer respingo. Por segurança, antes do embarque colocamos duas abraçadeiras de nylon na grade das caixas, na parte superior e inferior, assim garantimos que a porta não abriria de jeito algum durante o voo.

» Sobre sedativos e calmantes

Com a KLM, na época de nossa viagem, os animais não podem ser sedados, mas a política das outras cias aéreas pode ser diferente. Com a pressurização da cabine e do porão, podem ocorrer mudanças na respiração do seu bichinho (como hiperventilação) que podem vir a comprometer o bem estar dele. Também é fundamental que os animais estejam alerta, prontos para reagirem caso seja necessário (uma turbulência mais forte pode sacudir um animal sedado ou dopado dentro da caixa de transporte, por exemplo). Em alguns casos é permitido dar um calmante leve só pra deixá-los mais tranquilos, mas sempre verifique esses detalhes com seu veterinário e com a cia aérea escolhida antes de tomar qualquer decisão, pois algumas não permitem nem isso. Lembrando que raças com nariz achatado (persas, exotic shorthairs, pugs, bulldogs, etc) podem ter algumas restrições para voar, algumas vezes sendo até proibidas. Obrigada, Lia, por fazer essa pergunta! <3

» Sobre limites de peso e animais por passageiro

Há um limite de peso do animal + bolsa de transporte para levá-los na cabine, que geralmente varia de 6 a 10kg. Caso ultrapasse esse limite estabelecido pela cia. aérea, o animal só pode viajar no porão (in hold). A KLM permitia cada passageiro levar até 3 animais, porém há um limite físico de animais em cada voo, tanto na cabine quanto no porão – isso para todas as cias aéreas. Por isso é tão importante comprar a passagem e fazer a reserva dos pets com antecedência, para garantir que ainda terá lugar no voo para todos.

» Sobre transporte como carga viva (manifest cargo)

Essa modalidade é usada quando o dono já está morando fora e precisa despachar o animal totalmente desacompanhado – ou seja, sem um passageiro pagante no mesmo avião. Infelizmente não sei exatamente como é o processo para envio como carga viva, só ouvi dizer que é muito mais caro e complexo, então vale a pena entrar em contato com um despachante aduaneiro para facilitar o processo – ou com o pessoal da FlyingPet, que também faz esse serviço. Tem mais algumas informações sobre essa modalidade neste link. Se você já mudou e quer trazer um bichinho que ficou, já prepare o bolso pra gastar uma boa grana com as taxas de transporte de carga viva.

Reserva das passagens e check-in

Documentação em mãos, passagens compradas… e chegou a segunda parte crucial: conseguir a reserva para quatro animais com a cia. aérea. Voamos de KLM, referência em cuidados e transporte com animais, mas ainda assim tivemos alguns desencontros de informação.

Reservamos dois pets na cabine e dois pets in hold (no porão), mas só foram confirmados os animais no porão e não os da cabine, sem motivo aparente. Entramos em contato e nos disseram que as dimensões da mochila de transporte estavam fora dos padrões (sendo que não estavam). Passamos a medida exata permitida e informada no site da KLM (30x40x20cm), e pelo telefone falaram que deveria ser 28x40x20cm.

Enviamos uma nova solicitação com as medidas do segundo padrão estipulado, e autorizaram algumas horas depois. Agora pensa que tudo isso aconteceu entre 5 e 1 dia antes da viagem, hahah. Sobre o tamanho da bolsa de transporte para a cabine: não tem problema ser alguns (poucos) centímetros maior do que o padrão exigido, eles dificilmente medem. É extremamente difícil encontrar bolsas de transporte nessa medida que pedem, a maioria ultrapassa de 1 a 5cm. Contanto que seja de material flexível e caiba embaixo do assento do avião, a chance de alguém querer checar o tamanho é mínima – você só precisa falar pelo telefone a medida exata que eles exigem, e essa informação pode ser encontrada no site da cia. aérea escolhida.

Os momentos mais tensos foram os da preparação até o voo. Gatos odeiam mudanças no ambiente, e se forem gatos de apartamento, como os meus, odeiam ainda mais sair de casa. Eles foram miando o caminho inteiro, e o Thorin ainda hiperventilou algumas vezes, me deixando mega preocupada.

No guichê da KLM, mais um stress: fomos informados que a empresa só permite 1 animal por setor da cabine, então eu e o Shiota não poderíamos voar um ao lado do outro. O funcionário do balcão disse que esta é uma regra antiga, então foi conversar com o comandante do avião (!) para tentar autorizar viajarmos juntos. Não só conseguimos assentos juntos, como conseguimos as últimas poltronas do avião que tinham apenas dois lugares ao invés de três. Score! /o/

Outro detalhe importante: passamos 1h no balcão do check-in para preparar os animais para o voo (etiquetar caixas de transporte com identificações e etc). Se você vai viajar com animais, CHEGUE MAIS CEDO. Escolhemos viajar dia 24/12 por ser um pouco mais tranquilo, mas ainda assim o voo estava lotado. Caso sua viagem seja para um destino mais cobiçado e em alta temporada, não pense duas vezes e chegue pelo menos 3h antes ao aeroporto com seus bichinhos. É ruim demais passar tanto tempo fora de casa com eles, mas é necessário.

O voo saía 21h10, e o embarque começava 1h antes. Pediram pra levarmos os gatinhos que voariam no porão para o check-in 15 minutos antes da liberação do embarque, assim eles não precisariam passar muito tempo na pista esperando para embarcar – evitando mais stress com o barulho e movimentação. Mais um ponto positivo para a equipe atenciosa da KLM. :)

Durante o voo

Levamos no avião o Jamie, o gatinho amarelo mega assustado, e a Lexie, que adoeceu alguns meses antes da viagem. O desespero do Jamie foi tanto que ele fez xixi duas vezes, uma chegando ao aeroporto e outra durante o voo. Por isso é essencial forrar as bolsas e caixas de transporte com tapetes higiênicos.

As primeiras 3h foram as mais complicadas, pois eles estavam muito assustados ainda e queriam ficar saindo da bolsa. Depois eles se conformaram, deitaram e deram uma sossegada. Durante o voo, que durava 12h (doooooooze intermináveis horas) levei-os 3x ao banheiro para ver se os tapetes higiênicos precisavam de troca, e também pra deixar eles andarem um pouco.

Como levar animais para a União Européia

Em 12h de voo passamos por duas turbulências chatas, sendo que uma delas demorou quase 10 minutos e fez a Lexie vomitar. Fora que meu coração ficou na mão só de pensar nos meus outros dois pequenos que estavam no porão. :/ Eles quase não miavam, só quando ficavam muito irritados por não poder sair da bolsa, mas ninguém além de mim e do Shiota ouvia.

Preciso dizer também que as comissárias de bordo da KLM são incríveis. Todas foram muito atenciosas, cuidadosas e preocupadas. A responsável pelo nosso corredor ia toda hora checar se os gatinhos estavam bem, se precisávamos de algo e ainda aproveitava para fazer um carinho neles. Em um certo momento ela nos viu tentando dar água e comida e veio oferecer um copo de leite – eles não estão acostumados a tomar, mas deram algumas lambidinhas.

Não permitiram tirar os animais das bolsas de transporte (para eles não fugirem e se enfiarem em algum buraco), mas eles podem ficar com a cabeça para fora. Todas as comissárias do fundo do avião me viram levando os gatos ao banheiro (dentro das bolsas) e não falaram absolutamente nada. Escolher uma cia. aérea com equipe preparada para atender passageiros e seus animais, com respeito e carinho, é fundamental para sua viagem ser o mais tranquila possível. Se algum dia tiver que mudar de novo, não vou pensar duas vezes antes de escolher a KLM.

O que podemos concluir dessa parte da viagem então, meus amigos? É um inferno. Caso o voo seja longo, leve as bolsas de transporte até o banheiro (preferencialmente nos períodos de menos uso pelos passageiros) e veja se o seu bichinho quer sair para esticar as patas. Aproveite para fazer muito carinho e reafirmar que está tudo bem, eles precisam disso.

Chegada e adaptação

Ao chegarmos no Schiphol, a primeira preocupação era buscar a Arya e o Thorin no setor “odd-sized bagages”. Eu fiquei com Jamie e Lexie perto da esteira de bagagem, recolhendo nossas malas, enquanto o Shiota foi buscar os pequenos ali perto. Nem preciso falar que foram dez minutos agonizantes, né? Mil coisas passam pela nossa cabeça. Quando ouvi os dois miando desesperadamente, quase chorei de alívio. Finalmente tinha acabado e estavam todos bem! ♡

Como levar animais para a União Européia

Tínhamos um taxi grande nos esperando na saída do aeroporto, que reservamos alguns dias antes da viagem, para facilitar o transporte dos gatinhos e não passar ainda mais tempo com eles na rua (e no frio!).

Fomos para casa, soltamos os quatro ao mesmo tempo no meio da sala e, surpreendendo nossas expectativas, a adaptação foi muito rápida. Imediatamente eles começaram a explorar a casa nova, com um pouco de receio, pedindo carinho toda hora e seguindo a gente em todos os cômodos. No primeiro dia o Thorinho chorou muito, de um jeito que nunca tínhamos ouvido. Ele ficava perto das malas e miava sofrido, como se quisesse dizer “gente, que lugar é esse? vamos pra casa!“. Todos dormiram conosco na primeira noite (geralmente eles se espalham pela casa e ficam só dois na cama), e três dias depois eles já estavam mais confortáveis, correndo e brincando.

Como o arranhador e brinquedos deles estavam vindo com a mudança e ainda não tinham chegado em Amsterdam, no dia seguinte fui à uma loja especializada para gatos comprar algumas coisas para distraí-los. Aproveitei para comprar também um difusor de Feliway, um produto mágico que libera um análogo sintético do feromônio facial felino, ajudando os gatos a se sentirem mais confortáveis e relaxados. Especialmente útil para situações de muito stress (mudanças, pessoas em casa, visitas ao veterinário). Não estava acreditando muito no produto, mas deu pra sentir uma boa diferença no comportamento deles. Tem a versão em spray também, mas o difusor é uma boa se você quer familiarizar os gatos a algum ambiente novo, pois o cheirinho (que não é perceptível para o nariz humano) se espalha pela casa.

Deixamos o Feliway ligado por 5 dias, intercalando entre a sala e o quarto. Uma semana depois da chegada, parecia que nada tinha acontecido. Eles ficaram ainda mais carinhosos do que antes!

Vê-los sentados no balcão da janela olhando passarinhos ou correndo pela sala nos fez ter certeza que a escolha, desde a mudança até trazê-los conosco, foi certa. Sinceramente? Sem a menor dúvida, eu teria ficado muito deprimida e decepcionada comigo mesma se tivesse mudado sem essas quatro bolotas de pelo.

Kattenhuis

Thorin e Arya curtindo a janela da casa nova

Checklist – Passo a passo para viajar com animais para a União Européia

  • Colocar o microchip subcutâneo padrão internacional (usamos Virbac)
  • Aplicar vacina anti-rábica após ou no dia seguinte da inserção do microchip
  • Após 30 dias da vacinação, realizar coleta para o exame de sorologia e levar ao laboratário autorizado pelo país de destino (no Brasil é o CCZ-Centro de Controle de Zoonoses). O resultado leva em média 25 dias para ficar pronto.
  • Início da quarentena de 90 dias (em casa mesmo) a partir da data da coleta de sangue para a sorologia
  • Durante a quarentena, adquira as caixas de transporte rígidas (para embarque porão ou carga viva) ou bolsas de transporte (cabine) e os tapetes higiênicos
  • Ao término da quarentena, entrar em contato com a Divisão de Defesa Agropecuária (DDA) mais próxima para agendar uma entrevista para concessão do CZI. No site da Vigiagro, imprima e preencha o Requerimento de Fiscalização para Animais de Companhia. * informação retirada diretamente do site da Vigiagro.
  • Até 3 dias antes da data agendada no aeroporto, volte ao seu veterinário e solicite um atestado de saúde (é válido apenas por três dias, então deve ser feito antes da consulta com o Ministério da Agricultura/DDA)
  • Na data agendada, vá ao posto do Min. da Agricultura dentro do aeroporto com toda a documentação (carteira de vacinação, resultado da sorologia e atestado de saúde) para obter o CZI.
  • Viaje até 10 dias após a emissão do CZI, pois depois deste período ele não será mais válido

Quando começamos esse processo encontramos poucas informações atualizadas na internet (e 99% falando de cachorros, quase nenhum relato com gatos), então realmente é o assunto que eu mais queria abordar sobre a mudança. A maioria das informações aqui é válida para viagens com gatos e cachorros, mas é sempre bom verificar com antecedência a política de entrada de animais no país para onde você vai e também a política de transporte de animais com as companhias aéreas, pois cada uma tem suas regras.

Os comentários estão abertos caso tenham alguma dúvida – e tem muita informação legal que as pessoas foram deixando, não deixem de dar uma olhada. O post foi imenso, mas espero ter ajudado um pouco e esclarecido algumas dúvidas sobre a burocracia para viajar com animais. Se você leu até o final meu muito muito muito obrigada! Espero poder ter ajudado um pouquinho a manter algumas famílias completas. ❤

FlyingPet Assessoria de Viagem para Pets | site
Tel.: (11) 5531-4458 / (11) 96969-4155 [whatsapp também]
E-mails: contato@flyingpet.com.br / roberto@flyingpet.com.br

Vigiagro // Informações oficiais
Como levar seu cão ou gato para o exterior e como retornar com eles ao Brasil
Passaporte para cães e gatos: principais dúvidas
– Países que aceitam o Passaporte Brasileiro para Trânsito de Cães e Gatos em 2015: MERCOSUL (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela), Colômbia, Gâmbia, Taiwan. A lista pode variar a qualquer momento, confira sempre o site
Requerimentos sanitários de cada país para receber cães e gatos estrangeiros (final da página)

Viajando com animais para o Reino Unido, vídeo da Grazi

UPDATE 2016: O único laboratório brasileiro autorizado pela União Europeia suspendeu a realização dos exames novamente desde o ano passado. A amostra de sangue agora deve ser enviada pelo veterinário para o laboratório mais próximo ao Brasil, que fica no Chile. Informação sobre o laboratório obtida neste link. O CCZ em São Paulo já voltou a realizar os exames (na última quinzena de abril). ;)

 

Thorin, o gato anão

Era para ser um sábado qualquer, mas tínhamos um compromisso muito importante naquele 13 de janeiro: levar algumas doações para a Confraria dos Miados e Latidos, conhecer o Kirk-Sauron (um persa de olhos laranjas que foi resgatado em dezembro) e afofar os gatinhos esperando uma adoção. No fundo, eu e o Shiota sabíamos que não ficaria apenas nessa visitinha inocente.

Fomos recepcionados pelo Mateus, um humano muito simpático, e por dezenas de gatos bebês e adultos que estavam na sala do GQ da Confraria aqui em São Paulo. Sem cerimônias, entreguei as doações, deixei a bolsa em uma cadeira e sentei no chão para brincar com os gatinhos. Logo vimos o Kirk-Sauron (nosso carinhoso apelido para o gato com o olho laranja que tudo vê), mas ele ainda estava extremamente amedrontado e não quis muito papo. Tentamos contato com ele mais algumas vezes, mas acabamos desistindo… se ele viesse pra casa, provavelmente seria o submisso e apanharia dos nossos três gatos – especialmente da Arya, a rainha do castelo que quer tudo do seu jeito.

Mas a dúvida durou pouco: em dez minutos, tinha seis gatos bebês em meu colo e mais alguns ao redor, se esfregando em meus braços e pedindo por carinho. Meu coração era um mistura incompreensível de felicidade e dor por estar ali com todas aquelas pequenas almas carinhosas e sedentas por amor, mas não poder trazer todas pra casa junto comigo.

Mother of Kittens

 

Foi em meio a todos esses peludinhos que nós o vimos: Royce Gracie, um filhote sapeca, brincalhão e ridiculamente carinhoso. Ele pulou no meu colo ronronando e começou a me afofar inteira – meu rosto, meus peitos, meu nariz, minha barriga… era amor demais! Alguns minutos depois e a gente já sabia que teria que levá-lo pra casa.

E foi assim que, no dia seguinte, Royce Gracie virou Thorin Oakenshield, nosso gato anão – mas por pouco tempo, pois parece que ele ficará grande e peludíssimo. O Mateus e a Vanessa, ambos protetores da Confraria, trouxeram o bebê pra nossa casa no dia 14 de janeiro, um domingo.

Thorin Oakenshield

 

 

A adaptação com nossos outros três foi a mais demorada até então, porém o Thorin tem um temperamento bastante confiante e estava acostumado a levar uns patadas educacionais dos gatos mais velhos na Confraria, então ele lidou muito bem com a hostilidade inicial. Depois de uma semana de rosnados, patadas, hisses e pelos espichados entre os quatro, finalmente rolou o amor e todos ficaram bem.

Winterfell nunca esteve tão completa e tão feliz, com Arya, Jamie, Lexie… e agora Thorin! ♥

1 ano de crazy cat lady

Foi no dia 14 de janeiro de 2012 que uma amigona veio de carro do Rio de Janeiro trazendo uma coisinha minúscula e toda esquisita no banco de trás. Naquele momento, apesar de estar extremamente empolgada e feliz com a ideia, não sabia o quanto minha vida iria mudar e ficar mais completa.

Arya, aquela frajolinha ínfima e serelepe, chegou dominando a casa como se já fosse dela desde que abriu os olhos enormes e esverdeados. A euforia desse momento foi tão grande que, algumas horas depois, corremos atrás de nosso segundo filho felino, Jamie, na casa de uma protetora.

Essa semana fez um ano que eles estão com a gente, e tem sido uma experiência maravilhosa. Os gatinhos chegaram para enriquecer nossa vida de maneiras que nem imaginávamos. Nada se compara a acordar com os bebês em cima da cama, cada um dormindo em seu cantinho habitual, ou voltar pra casa sabendo que vamos encontrar muito amor, miados, amassadas de pão e gatinhos queridos nos esperando à porta.

Sempre fui apaixonada por cachorros (e continuo, sim, gostando muito deles), mas hoje posso dizer com absoluta certeza que sou uma crazy cat lady – ou melhor: Mother Of Kittens. Àquela amiga que nos incentivou e dirigiu por 5h pra mudar nossas vidas pra sempre (e pra melhor), só tenho a agradecer, todos os dias e segundos. ♥

Um dia antes de completarmos um ano com os gatinhos, a família cresceu mais um pouco: de dois gatos em janeiro de 2012, agora temos quatro. Mas essa é uma história para outro post… ;)

 

Arya, Jamie, Lexie, Thorin

Aloka dos gatos #1: O dia que virei mãe de gatinhos

Tudo começou na última semana de Dezembro, quando uma amiga querida do Rio resgatou uma gatinha com pouco mais de um mês de dentro do capô de um carro no aeroporto. A pequena “dirigiu” cerca de 50km ao lado do motor do carro, no calorão do Rio. Foi resgatada, desmaiou, estava toda imunda de graxa, mas foi cuidada e ficou bem. Começou então uma forte campanha da parte dessa amiga para que eu e o namorado adotássemos a pequena, que estava abrigada temporariamente. E tem como dizer não à uma gata assim?

Oi, eu sou a Arya!

No dia 14/01 a pequena fez a “ponte terrestre” RIO-SP, dessa vez dentro da caixinha de transporte, e chegou em casa toda medrosinha mas toda curiosa. Em poucas horas ela já estava ronronando em nosso colo, distribuindo carinho e atenção com aqueles olhos esverdeados e gigantes de lêmure. Ah sim, o nome da pequena é Arya, inspirado na personagem Arya Stark de Game of Thrones; uma criança igualmente corajosa e forte. E lhe caiu tão bem! Arya é carinhosa, curiosa, sapeca e toda molecona.

Ficamos tão apaixonados com a presença dela que na mesma tarde fomos à procura de um segundo gatinho, e acabamos adotando o Jamie, um yellow-tabby com cerca de dois meses e meio. Fomos buscá-lo em uma casa quase lá em São Caetano, ele havia sido resgatado na noite anterior e não sabemos nada sobre sua história. Ele estava escondidinho no fundo de uma gaiola, morrendo de medo, ficava miando baixo e sentido quando o pegamos no colo – e também em todo o caminho pra casa. Chegou lá aterrorizado, correndo pra baixo de todos os móveis e soltando vários “hiss” pra Arya, mas logo vimos que era só pose e que ele estava morreeeeendo de vontade de brincar com ela.

Jamie & Arya

Em 24h ele já estava mais confortável e em menos de 1 semana dominou a casa, virou nosso reizinho dengoso que reclama por carinho o dia inteiro. E é assim que eu quero começar o diário Aloka dos Gatos: com as boas lembranças da chegada dos pequenos em casa. Tem muitas molecagens, dúvidas e descobertas que eu quero compartilhar com os recentes, futuros e veteranos pais de felinos, então preparem-se para uma ocasional overdose de fofurice! :D